Utilizaremos esse espaço para compartilhar sobre o que está acontecendo na FATEV, notícias, fotos etc...
O CMA é responsável pelas publicações, se você tem algo que deseja publicar envie um e-mail para cmafatev@gmail.com

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Da pergunta sobre a paixão

“O amor não é parte da vida, o amor é a vida toda.” (Dona Clio)



Para alguém racional apaixonar-se não é fácil... Já ouviu falar do susto do amor? Vamos mudar, no amor não há susto, no amor há desespero, sofrimento, abnegação... Ao falar sobre o susto do amor, está se falando na verdade sobre o susto da paixão. A paixão é daquelas palavras que os filólogos discorrem reconhecendo que para ela a etimologia é superficial. Neurologistas, psiquiatras, biólogos (os macacos não se apaixonam!), todos tem pesquisado... E ela permanece misteriosa em sua essência. Para os racionalistas é simplesmente o precursor do acasalamento entre os humanos, para os romancistas estado ideal de amor, para os realistas estado de obsessão passageiro... A paixão o que é? Pouco se sabe, ela é indispensável, é indigna de confiança, requer sensatez para evitar o engolimento da pareia por si mesmos, mas esmaga todo e qualquer bom senso. Ela torna as regras pequenas, não é o amor, mas aponta para ele quase tornando-o um
deus, eu diria que a melhor definição é que a "paixão é uma pregadora apaixonada do amor eros".

Não se pode fugir do susto, não se pode racionalizá-la, ela é responsável por todo o mistério introdutório do relacionamento amoroso, Salomão disse, quem entenderá o caminho de um homem e uma mulher? A paixão passa...? É, ela passa, mas ela é o primeiro amor, é a sua infância, aquela a quem as velhas memórias desgastadas pelo tempo por vezes recorrem para sobreviver ao desafio de amar... Ás vezes se pergunta: Por que te apaixonastes sem a(o) conhecer bem? Não é justa a pergunta, não referente à paixão... Um jovem coração ainda preso às amarras da paixão responde com mil gargalhadas de desespero e alegria que se ecoam pelo universo... Como poderia não me apaixonar? No “por que” e “poderia” está a essência do mistério... Se antes tratou-se a paixão como a deusa buscada por todos, hoje, todos parecem evitá-la. Ela tornou-se uma vilã. O ser apaixonado é o ser imaturo, não é necessário apaixonar-se, é necessário
logo livrar-se dela. Desprendam-se desta obsessão para que possam amar, gritam os mestres da vida. É verdade, um dia assim como o efeito do chá de Tristão e Isolda passou, levando consigo toda a excitação emocional que lhes fez lutar pelo amor, também parte a paixão. Ela veio trazendo consigo as qualidades do outro (algumas vezes inventando algumas), descrevendo o amor com poemas líricos, e agora parte. Não a empurre, não fuja dela, ela vem sem convite, é o demônio importunante que te encontra por mais que fujas, mas que também parte sem necessitares mandá-la embora. Se ela canta o amor, não é para endeusá-lo, isso é coisa tua, mas por que ele precisa ser cantado, anunciado com trombetas. Se ela parte, é por que necessita dar espaço ao amor, que algumas vezes é seu fruto, outras vezes sua semente.

A paixão não inventa sobre o amor quando o anuncia, não o fantasia, somente diz suas qualidades. Se faz assim, é que estamos tão pouco aptos ao amor, que alguém precisa colori-lo para que possamos querê-lo. Quando ela parte, e ficamos sós nós e a oportunidade de amar, dizemos, será que nos enganou a paixão? Será que não há o que pensamos que houvesse, e a paixão em despedida nos responde – Lembrai vós de tudo que ensinei acerca do amor, é vossa escolha deixá-lo entrar ou não. Eu, a paixão, sou sua infância, sua profeta. Faço a Romeu ver Julieta somente em suas qualidades e adornos, depois me esquivo um pouco, e Julieta percebe as sombras que nunca viu por que com minha luz as ofusquei. Mas como não parti de todo, se pensa, o que é uma sombra para que não possa se conviver?! E permanece o laço, abraço... Êta embaraço! E é quando me desfaço, assim as sombras que um do outro descobriram passa a doer. Não menti, mas como
sou poeta romântica, não canto a dor e abnegação de quem o amor precisa para se fazer viver. Mas perceba, não é má a minha obra, ao ponderar entre os sacrifícios do amor e o amor como forma de viver o que escolheria você? Ora, por que amas se não amas pelo amor... Eu sou o convite do amor, e “o convite para o amor, é amar.” Frase de Agostinho

P.S. Continuando a respeitar o mistério; desejo a todos: Paixão!


Weslley Rodrigues